RPG e Arte em um jogo memorável

Review de Child of Light2014
9/10 | por ResLopes ResLopes em 03/09/2014 às 12:31 | lido 574 vezes




Você sabe quando um jogo acertou em cheio no quesito arte quando, dois dias depois de jogá-lo, a simples menção de seu nome evoca uma memória viva de sua trilha sonora e estilo visual. Child of Light é simplesmente elegante... não, eu diria que é esmagadoramente elegante, com uma direção de arte simples, mas corajosa, e uma trilha sonora bem melódica que gruda na cabeça quase que instantaneamente.

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É um RPG memorável em quase todos os sentidos, graças à simplicidade que mencionamos acima, que acaba guiando tudo, da jogabilidade até a história. Não há nada de muito complicado na mais recente incursão da Ubisoft no território dos RPGs, e isso não significa que o jogo seja meia-boca. Muito pelo contrário, é um jogaço, uma obra de arte em constante movimento.

A trama de Child of Light

Os jogadores assumem o papel de Aurora, uma princesa austríaca que cai em um sono terminal através de meios potencialmente nefastos. Acordando em um mundo estranho de fantasia, a princesa descobre que possui um propósito especial. Ela então começa a reunir um elenco de personagens excêntricos e cativantes em uma jornada para recuperar a consciência e salvar o dia.

Toda a história é contada em rima, com o diálogo e a narrativa tomando a forma de poesia. É uma idéia legal que combina com a arte que se vê na tela, mas às vezes acaba sendo um pouco forçado e não funciona de forma eficaz. Na maior parte do jogo, a narrativa em forma poética tem seu charme, porém algumas das piadinhas em forma de rima acabam sendo bobas ou não muito espertas. O jogo é todo dublado em português, caso você prefira jogar em nossa língua, mas não sei se isso ajuda ou atrapalha ainda mais esse estilo de narrativa rimada já que todas as frases têm que ser traduzidas rimando, o que pode fazer com que alguma essência se perca no caminho.

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No final das contas, Child of Light possui uma trama levemente piegas, mas agradável e fácil de seguir, repleta de personagens adoráveis em um mundo no limite do "açucarado". Seu ritmo é perfeito e o jogo ainda consegue ser tocante em alguns momentos, graças a relação que construímos com a personagem principal, Aurora.

RPG com toques especiais

Child of Light 5Child of Light é um RPG sidescrolling com um grande foco na exploração. No início do jogo, Aurora ganha asas de fada, que dão a liberdade de voar por todo o mapa - um mapa cheio de caminhos escondidos, baús de tesouro secretos e colecionáveis ​​raros. Aurora é acompanhada por um companheiro vaga-lume, Igniculus, controlado através do stick direito, que pode ajudar a pegar objetos, distrair os inimigos, iluminar caminhos escuros e interagir com vários obstáculos na tela. Grande parte do jogo é gasto voando ao redor do mundo, usando os dois sticks analógicos para controlar Aurora e Igniculus, enquanto um mundo belo e estilizado se desenrola diante deles.

É claro que o combate é uma grande parte da experiência também e é aí que o jogo se permite ficar um pouco diferente - e inteligente. Essencialmente construído em torno do sistema Active Time Battle popularizado por Final Fantasy, o conflito envolve Aurora e seu quadro - cada vez maior - de amigos enfrentando vários monstros da escuridão, com amigos e inimigos compartilhando uma única barra de ação, que é uma espécie de timer. Cada participante da luta percorre este timer (um ícone do seu personagem passeia pela barra), que é dividido em uma fase de espera (cor azul) e uma fase de ação (cor vermelha). Usar essas fases para planejar seus movimentos, e aprender a manipulá-las a seu favor, é a chave para ganhar batalhas.

Child of Light 6Enquanto está andando na seção de azul, o combatente não pode fazer nada, apenas esperar seu ícone se mover para a área vermelha. Assim que o personagem chega na seção vermelha, o jogador (ou CPU) pode dar um comando, selecionando um ataque ou alguma outra ação. O ícone, em seguida, viaja ao longo da seção vermelha, realizando sua ação só quando atinge o final do timer. Ações diferentes têm diferentes tempos de espera para funcionarem, com ataques mais fortes fazendo com que o timer se mova em um ritmo mais lento. Agora, o mais importante e estratégico: se um personagem ainda estiver se movendo na área vermelha do timer e tomar dano antes de realizar sua ação, ele é mandando de volta para a fase de espera azul.

O combate acaba virando um jogo de gato e rato, de saber quando atacar seus inimigos e quando segurar. Se você notar que alguém vai te atingir antes de você completar sua ação, pode optar por "defender". Embora você perca sua vez, no próximo turno seu personagem viajará muito mais rapidamente ao longo do timer. Ao defender, os jogadores podem evitar serem mandados de volta para área azul, além de tomarem menos danos. Isso também pode dar tempo aos jogadores de planejarem melhor seus movimentos e interromper os adversários. Além disso, Igniculus ainda podem ser manipulado durante a batalha. Basta colocá-lo em cima de um inimigo e apertar o botão para ele brilhar. Enquanto Ignuculus tiver energia, ele fará o inimigo ficar bem lento na barra de timer, dando mais uma vantagem tática. Você também pode curar com ele, pegando orbs HP e MP em plantas espalhadas no cenário.

Sem complicação

Como eu disse lá no início, Child of Light é um jogo simples e mesmo que pareça cheio de nuances, o sistema de batalha está longe de ser complicado. É, no entanto, lindamente inteligente, transformando um sistema quase tradicional em algo mais envolvente, graças às suas ligeiras alterações. Dominar o combate ao ponto de não permitir ataques inimigos é uma experiência extremamente gratificante, embora, naturalmente, tal façanha nem sempre seja possível, e é irritante quando você é pego na mesma armadilha.

O único grande problema com o sistema de batalha é o fato de apenas dois personagens aliados poderem lutar de cada vez. Os membros do seu grupo podem ser trocados durante a fase de comando, sem custo adicional, ou seja, todo o grupo pode se envolver (e deve, porque todos eles têm habilidades úteis), mas ter que trocar constantemente os personagens no calor da batalha torna-se um aborrecimento.

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Claro que com o tempo, mesmo sendo bem esperto, o sistema de batalha pode começar a entrar em uma fórmula de combate, onde a maioria dos inimigos normais podem ser derrotados de forma idêntica. Felizmente, há uma série de chefes de grande escala que aparecem de vez em quando, oferecendo alguns desafios adequadamente longos e muitas vezes requerendo um maior nível de estratégia.

A única outra coisa a ser levada em conta é o elaborado sistema de confecção de jóias, que podem ser atribuídas às armas. Jóias coloridas conhecidas como Oraculi podem ser equipadas em um dos três slots de armas de cada personagem, ou misturadas para criar novas jóias mais poderosas. O sistema não é lá muito complicado, mas as jóias acabam adicionando danos elementais às armas, o que pode ser estratégico nas batalhas também.

Veredito

Vale a pena repetir como Child of Light parece uma obra de arte em movimento. O que poderia ter sido um RPG bem padrão acabou se tornando um jogo memorável, graças à sua arte e trilha sonora soberbas. Gráficos e som não podem arruinar um grande jogo, nem melhorar um jogo ruim. No entanto, podem sempre acrescentar aquele polimento necessário para transformar uma boa experiência em uma experiência inesquecível e isso fica evidente nesse jogo.

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Apesar de sua narrativa rimada ser forçada às vezes, Child of Light é um jogo encantador, com um estilo sensacional e reviravoltas inteligentes. Explorar os cenários que parecem quadros impressionistas é sempre delicioso, assim como os personagens que você encontra durante sua jornada. É um daqueles poucos jogos onde você consegue realmente ficar imerso naquele universo, sem pensar em mais nada, completamente inebriado pela beleza.

Mesmo usando conceitos simples de RPG, o jogo consegue tornar as batalhas interessantes e intensas. Não é o RPG mais profundo do planeta, mas é um entretenimento original e belíssimo, tanto para os fãs do gênero quanto para os jogadores casuais. Você nunca vai se esquecer da música tema do jogo, nem da sua arte maravilhosa.


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Child of Light
Child of Light2014
PC PS3 PS4 PSVITA Wii U XBOX360 XONE
RPG
Desenvolvido por: Ubisoft Montreal
Publicado por: Ubisoft

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