Um excelente (e sombrio) adventure à moda antiga

Review de The Cat Lady2012
9/10 | por ResLopes ResLopes em 02/09/2014 às 21:39 | lido 613 vezes




Eu não durmo direito desde que mergulhei em The Cat Lady e me pego pensando sobre o jogo o tempo todo; no trabalho, quando saio com os amigos e até mesmo em sonhos. O jogo traz à tona todo o material necessário para pesadelos, ou seja, é um game perturbador.

The Cat Lady é o mais recente game de Remigiusz Michalski, Harvester Games e Screen 7. Michalski, que criou o pouco conhecido porém aclamado "Downfall", retorna com um jogo de aventura adulto que lida com assassinos em série, depressão e, finalmente, esperança.

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O jogador assume o controle de Susan Ashworth - aka The Lady Cat, uma mulher solitária de 40 anos à beira do suicídio que batalha contra seus demônios interiores. Durante sua jornada, uma série de serial killers são revelados a ela pela misteriosa Queen of Maggots (algo como rainha dos vermes).

O jogo é um adventure point-and-click À moda antiga, estilo que fez um enorme sucesso na década de 90 e nunca morreu, embora esteja carente de bons exemplares como outrora. E The Cat Lady é um exemplar e tanto. Embora o adventure seja um estilo de jogo por vezes lento, quando é bem feito consegue envolver o jogador como poucos jogos o fazem.

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A parte técnica do jogo ajuda muito nesse trabalho de imersão. O estilo de arte de The Lady Cat é muito original; é bizarro e simples, mas extremamente bonito. A violência é sutil, mas é jogada na sua cara quando é preciso. O jogo não conta com violência banal para causar impacto. A desenvolvedora Screen 7 usa a história e a música de formas dramáticas para criar uma sensação inquietante, o que faz de The Lady Cat um jogo bem inteligente.

Depois de jogar algumas ​​horas, você vai estar totalmente imerso na história. Pode ser um jogo confuso em algumas partes, mas é uma experiência gratificante.

O jogo

The Cat Lady é dividido em capítulos; cada capítulo é como desenrolar um carretel emaranhado de arame farpado cheio de sangue. Você está constantemente querendo saber se está vivo ou morto e que a única maneira de descobrir o que está acontecendo é fazendo um trabalho de detetive. Quando você não está resolvendo quebra-cabeças, você está interagindo com alguns personagens realmente estranhos. Essas conversas irão moldar a história que é contada.

Você pode mentir ou tentar responder honestamente, de qualquer forma você tem que prestar atenção e memória aqui é fundamental. Capacidade de observação aguçada e pensar fora da caixa irão ajudá-lo com a maioria dos quebra-cabeças. Lembra muito o que era jogar os adventures antigamente, antes da internet e dos guias. Se você estivesse preso, ia continuar preso; você realmente tinha que deixar alguns enigmas maturando em seu cérebro um pouco para resolver determinadas situações.

A jogabilidade de The Cat Lady, como eu disse antes, é a de um adventure point-and-click padrão, mas curiosamente o jogo pode ser jogado sem mouse e apenas algumas teclas são usadas. Os controles meio diferentes para um jogo de aventura não atrapalham o andamento de The Cat Lady, na verdade até ajudam a nos deixar com mais medo.

O jogador controla Susan movendo-a da esquerda para a direita em uma tela 2D com as teclas de seta. A visão recebe um zoom muito mais perto do que na maioria dos jogos tradicionais de aventura e o resultado é uma maior proximidade com a loucura que se desdobra continuamente diante de seus olhos.

Pressionar a seta para cima perto de um hotspot oferece várias opções, tais como 'examine' e 'pick up' que podem ser selecionadas com um toque na tecla 'Return'. Pressionar a seta 'para baixo' permite ao jogador acessar o inventário de Susan. Demora um pouco para se acostumar, mas controlar Susan desta forma contribui diretamente para aumentar o fator medo do jogo.

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O sistema de inventário é fácil de usar e os itens que você pode pegar estão sempre bem visíveis no cenário, brilhando. Uma vez que um item é adquirido ele aparecerá na parte inferior da sua tela em uma janela de inventário. Porém, a simplicidade para por aí, pois The Cat Lady é realmente um jogo muito inteligente, com puzzles sofisticados que vão desafiar a mais brilhante das mentes. Como você deve interagir com os itens que você adquire vai fazer você coçar a cabeça e forçá-lo a tomar abordagens estranhas.

A dublagem é muito bem feita; com o elenco - todo do Reino Unido - ajudando a tornar tudo mais negro e assustador. A música é arrepiante e define bem o tom do game. A combinação da dublagem do elenco e da música mostram bem que muito esforço e dedicação foram colocados no jogo.

Os gráficos são incrivelmente detalhados - a maioria em preto-e-branco, com respingos de cores psicodélicas e sangrentas. A animação travada dá ao jogo um impressão inquietante. O jogo se recusa a cair em uma rotina, você nunca está completamente certo do que vai acontecer a seguir.

A trilha sonora feita pelo irmão de Remigiusz, Michal Michalski, é tão impactante quanto os gráficos. A música de fundo é atmosférica, pontuada por gritos assustadores e pelo rangido de portas, tudo misturado com pump rock para criar uma paisagem sonora que combina sempre com o que está na tela.

Houve alguns contratempos com a taxa de quadros e som, mas foram pequenos bugs que nunca atrapalharam a experiência. No geral, o jogo é bem polido e comparável com jogos de ponta.

The Cat Lady não faz muito sentido no início (prepare-se para um spoiler leve): quando o jogo começa, o jogador assume o controle de Susan e passeia por ambientes que parecem reais. Mas não é bem assim... É logo revelado que Susan recentemente tentou se matar. Mas este lugar é o céu, o inferno, ou algo no meio? A Queen of Maggots não oferece respostas claras, mas ela tem uma proposta: matar cinco psicopatas conhecidos como 'The Parasites'. Para ajudar Susan, ela a amaldiçoa com a imortalidade, garantindo que não importa o quanto ela sofra, ela nunca pode realmente morrer. Começa assim então a história perturbada de The Lady Cat.

É, uma premissa corajosa e bem obscura. Você tem que se entregar a ela - qualquer leveza ou humor para ser encontrado são praticamente enterrados pelo desespero esmagador e o retorno de Susan para a terra dos vivos não pinta o mundo real como um lugar particularmente acolhedor. O estilo de arte e os ambientes decadentes refletem o estado perturbado da mente de Susan - da banalidade clínica de uma enfermaria de hospital suspeita até um apartamento sempre sombrio, onde a única companhia a ser encontrada é a de gatos de rua. Susan está envolta em depressão e sua tristeza transborda pelo jogo. É extremamente desconfortável, mas totalmente necessário e absolutamente imersivo.

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Os Parasitas

Os Parasitas em si são aterrorizantes. Serial killers que se deliciam com a morte, eles se escondem bem à vista. A polícia não vai ajudar - em um raro momento de humor negro, Susan se esforça para convencer um policial ao telefone que ela foi raptada por dois canibais. O policial puxa seus registros médicos e simplesmente recomenda que ela entre em contato com seu médico imediatamente. O pior é que nem mesmo o jogador pode ser 100% de certeza de que Susan não está apenas ficando louca e essa é a beleza de todo o jogo.

Susan pode estar perdendo a sanidade, mas a turma que fez o jogo nunca perde - eles a transformam durante o game: de vítima ela passa a ser uma heroína. Você vai vibrar em como a caça se torna o caçador. Susan é literalmente invencível, mas a ameaça de perigo e morte nunca diminui. Fazer um jogo de aventura assustador já não é pouca coisa, mas The Cat Lady é um dos jogos de aventura mais inquietantes e assustadores de todos os tempos.

O Veredito

The Cat Lady é um jogo de aventura point'n click incrivelmente bem feito, com enigmas satisfatórios e um enredo bizarro e envolvente. No entanto, o jogo rapidamente ultrapassa estas características louváveis ​​para se tornar algo bem mais memorável - é um jogo pertubador, mas ao mesmo tempo imersivo e bonito. A depressão não é um tema particularmente agradável e, para muitos, é melhor deixar no escuro. Remigiusz Michalski é designer de jogos de aventura autoral - ele mergulha o jogador na escuridão o tempo todo, mas tem a habilidade de permitir sempre um leve vislumbre de luz - e esperança. Jogue o jogo uma vez, faça suas escolhas e viva com elas. Embora existam pequenos probleminhas técnicos e controles esquisitos no início, este é um dos melhores jogos do ano passado, independentemente do gênero ou plataforma.

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Eu gostei muito de jogar The Lady Cat, mas é tão bizarro e macabro que não dá pra recomendar para todo mundo. A viagem vai levá-lo por alguns caminhos sinistros, mas a experiência será como nenhuma outra. Eu me considero um sortudo por ter jogado e fico feliz em saber que existem pessoas por aí corajosas o suficiente para fazer jogos como este. Remigiusz Michalski fez quase uma obra-prima e caso você jogue ela ficará para sempre na sua mente.

Ahh, e o jogo também ainda conta com uma homenagem emocionante para os fãs do gênero das antigas, principalmente quem curtiu e jogou MANIAC MANSION... Em dado momento do jogo, se você realmente é fça de Manic Mansion e sabe tudo sobre o game, vai se surpreender com algo que é exibido lá pro meio do jogo...

E o final, também, principalmente a última tela, é igualmente emocionante e sensacional, dentro do contexto da história e de tudo o que o game fez o jogador passar. Altamente recomendado!


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The Cat Lady
The Cat Lady2012
PC
Adventure / Point 'N Click
Desenvolvido por: Screen 7
Publicado por: Harvester Games
"I've been to hell and back, my boy... I'm stonger than you."

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