O melhor Zelda disparado

Review de The Legend of Zelda: A Link to the Past1992
9/10 | por MegaMan MegaMan em 23/08/2005 às 19:06 | lido 2489 vezes




The Legend of Zelda: A Link to the past, também conhecido como Zelda 3, foi lançado em 1992 e fez jus como continuação de uma série que viria a se tornar uma das de maior sucesso dos videogames, com clássicos como The Legend of Zelda: Ocarina of time, considerado o melhor jogo de todos os tempos por muita gente. Único jogo da série para um console 16 bits (SNES, claro), nesta época, Zelda já fazia sucesso, pois predecessores como Zelda 2 lançado para NES já continham a magia de jogos lançados pelo mestre da Nintendo Shigeru Miyamoto.

De uma forma geral, Zelda 3 é um RPG/Adventure que dá ênfase à ação, característica presente nos jogos da série Zelda, e isso proporciona muita diversão ao jogador, que está sempre explorando diversas áreas do jogo e procurando itens, um dos principais objetivos do jogo. Os itens são parte essencial do jogo e são necessários em vários momentos, principalmente nas dungeons. Uma das características que mais me agrada em Zelda é que o jogo em si é muito ágil, e você não se cansa dos muitas vezes irritantes sistemas de batalha em turnos, como também de diálogos intermináveis, o que proporciona uma jogatina muito mais divertida. Apesar disso, a partir de um tempo, Zelda começa a ficar bastante enjoativo, fazendo com que você perca a vontade de jogar, pois os desafios que vai enfrentar são muitas vezes parecidos. De qualquer jeito, Zelda merece ser jogado, afinal é um clássico e não exige muito do jogador, mesmo que ele seja iniciante, pois possui um estilo mais fácil e descompromissado, sem puzzles impossíveis ou chefes overpowers.

Zelda é bem avançado para a época e trouxe grandes inovações em relação aos outros jogos lançados para o SNES na época, pois possui alguns puzzles elaborados (nada muito difícil, mas que fazem pensar um pouco), dungeons grandes e trabalhadas e chefes que podem ocupar grande espaço da tela. Foi para muitos, o primeiro RPG e você pode perceber que em relação a jogos da mesma época, há grandes avanços como quantidade enorme de inimigos e uma história não muito complexa e cheia de reviravoltas, mas coerente e responsável por reforçar o enredo dos episódios anteriores da saga.

O enredo do jogo é uma das partes fracas do jogo, por seguir a conhecida e clichê história do herói (Link) que tem que resgatar a donzela (Zelda) raptada pelo vilão (Ganon) e assim salvar o mundo de Hyrule. Como você pode ver, é uma narrativa bastante previsível, mas necessária para que Zelda não perca sua essência. Mas por trás disso há alguns pontos interessantes que devem ser levados em conta. O jogo possui uma base na história que fala sobre os portais dimensionais entre os dois mundos do jogo (Light e Dark World) e explica como foi iniciada a guerra pela Triforce, que é o elemento que estabelece a paz em Hyrule e porque a princesa Zelda teve que ser raptada pelo vilão, logo no prólogo do jogo. A história se desenvolve em cima da guerra pelo artefato mágico Triforce, quando muitas pessoas do reino começaram a brigar pelo grande poder que a Triforce fornecia. Com isso, o rei de Hyrule pede a sete homens sábios (os ?Seven Wise Men?) para que selassem o portal dimensional, subitamente aberto e que levava à Golden Land, onde a Triforce estava escondida. O portal gerava desgraça para o reino, pois os guerreiros sedentos pelos poderes fornecidos pelo artefato estavam se matando para chegar a obter o item mágico. Com o portal fechado, tudo se acalmou e a população de Hyrule pensou durante muito tempo que tudo aquilo não passava de uma lenda. Porém, durante o jogo, você combaterá Agahnim, um mago que pretende raptar as descendentes dos Seven Wise Men (entre elas a princesa Zelda) para que possa destruir o selo que protege as Golgen Lands. Realmente, não é um dos enredos mais profundos, mas possui uma base bastante interessante e bem construída, que explica o porque da missão de Link. Aqui está a descrição dos principais personagens presentes no jogo

Link: É o herói do jogo, que após a tentativa de ajudar seu tio em uma noite chuvosa, recebe a missão de restaurar o poder da Triforce resgatando a princesa Zelda e derrotando o vilão Ganon.
Zelda: É uma das sete virgens descendentes dos ?Seven Wise Men? e princesa do reino de Hyrule. O maligno mago Agahnim precisa de Zelda para instaurar o caos total e fazer com que o Light World se transforme em um mundo de trevas.
Agahnim: Aparentemente o principal vilão do jogo, Agahnim não é nada mais que um mago a serviço de seu grande chefe, Ganon. Tenta selar Zelda em um dos sete cristais presentes nas dungeons do Dark World.
Sahasrahla: Guia espiritual de Link ao longo de sua jornada, Sahasrahla transmite várias palavras de apoio através de mensagens telepáticas espalhadas em lápides no mundo de Hyrule ou mesmo por telepatia pura. Pode lhe ajudar com alguns conselhos e itens.
Ganon: Diferentemente do que se possa pensar em uma primeira impressão, o grande vilão de Zelda 3 não é Agahnim e sim Ganon, seu chefe. Foi ele quem transformou o Dark World no que ele é hoje, espalhando trevas e terror.

A interface do jogo é muito bem distribuída e possui menus de fácil acesso onde poderão ser vistos seus itens, os pingents (pendants) ou cristais que obteve até o momento e alguns itens que fazem efeito o tempo todo, como nadadeiras e luvas que tornam Link ficar mais forte, não precisando serem selecionados e utilizados. Além disso, há a parte de equipamento, em que você pode ver a espada de Link no momento (que são quatro no total) escudo e armadura (três no total, cada um). Logo embaixo dessa parte do menu, pode ser conferido o número de heartpieces.

A Jogabilidade é bastante completa e interessante, pois reúne um mundo muito grande, vários locais e dungeons e serem explorados e permite ao jogador movimentos precisos sem muita complicação, característica indispensável em jogos como Zelda, onde a ação é constante. Para isso, há também a disposição dos botões do controle que são tão bons que nem precisam serem customizados, e há também a câmera, visivelmente um dos melhores aspectos do jogo. Sempre acima da cabeça de Link, a câmera é perfeita para explorar mundos grandes e complexos como Hyrule, onde estão espalhados corações e itens por toda parte.

Um dos pecados do jogo e de toda a série Zelda é não ter um sistema de batalha elaborado, que faça jus aos RPGs, mas mesmo assim, é interessante poder jogar livremente com total liberdade como em jogos do tipo de Terranigma para utilizar todas as suas técnicas e itens a todo o momento, pois os jogos da série Zelda são assim, bastante objetivos. Isso torna o jogo cada vez mais viciante, pois muita gente como eu, acha entediante cair numa apresentação de batalha toda hora ao andar e cair num chato sistema de batalha em turnos, demorado e que tira toda a objetividade. É claro que para alguns jogos eles são perfeitos, mas para que Zelda não perca sua essência, foi necessário adotar esse método. Os itens são muitas vezes necessários no meio de batalhas contra inimigos específicos e trazem grandes vantagens a Link quando utilizados da forma certa. Porém, o jogo pode ser muito pobre em relação a isso, pois a maioria dos inimigos tem seus pontos fracos bastante definidos e isso tira a diversão do jogo, visto que é interessante tentar descobrir como vencer os inimigos da melhor forma e não com apenas um item pré-definido.

Continuando, vou abordar alguns aspectos gerais do jogo, como os itens e equipamentos. Há no total 24 itens a serem pegos por Link espalhados por todo o imenso mundo de Hyrule. Muitos deles são necessários para que Link cumpra seu objetivo, mas há também alguns muito úteis que podem ser considerados como side-quests, que não influem na seqüência do jogo. Muitas vezes também há a necessidade de voltar em algumas dungeons para recuperar itens que não foram obtidos, pois eles podem não ser necessários naquela hora, mas cedo ou tarde serão indispensáveis para o sucesso de Link. Os equipamentos são poucos, mas realmente fazem a diferença em termos de jogo. São basicamente três os equipamentos de Link, a espada o escudo e a túnica ou armadura. A espada pode chegar até o nível 4, passando pela espada que Link recebe de seu tio, a Master Sword, A Master Sword temperada pelos anões ferreiros da Kakariko Village e a espada dourada, obtida com a fada gorda, bem no final do jogo. O escudo de link que é bastante fraco no começo, pode evoluir para um escudo vermelho que defende fireballs lançadas pelos inimigos ou Link pode obter um escudo chamado Mirror Shield que rebate até lasers. Já a túnica, bem básica no começo, de cor verde, passa para azul quando se obtêm uma nova vestimenta para Link no Ice Palace e até para vermelho na Ganon Tower.

As dungeons por sua vez, exigem muito do jogador com puzzles muito bem elaborados, passagens secretas e vários andares, fazendo com que o jogador pense antes onde utilizar uma chave ou utilizar uma bomba. A presença de três itens como o Map, o Compass e a Big Key são realmente de grande ajuda para o jogador, pois juntos podem fazer com que você descubra uma passagem secreta e assim possa chegar ao final da dungeon. Muitas delas são únicas e fazem com que o conceito de chegar ao final da dungeon caia por terra, pois muitas vezes você poderá passar de uma dungeon sem um item muito importante ou não saber como encontrar o chefe final, pois ele está escondido ou disfarçado. Um dos pontos fracos apresentados é que o jogo apresenta ao jogador qual a ordem necessária para concluir sua jornada no Dark World, tirando toda a diversão que poderia se conseguir ao desvendar uma por uma e justamente por isso, o jogo fica com a aparência de ser pequeno demais, pois já se sabe onde se deve ir.

Há pontos muito divertidos no jogo que nada têm a ver com o objetivo de Link, mas que servem para dar uma relaxada, e às vezes conseguir coisas importantes como heartpieces. São casas de jogo espalhadas no cenário, onde a maioria consiste em pagar ao dono uma certa quantia de Rupees (a moeda oficial de Hyrule) para ter a possibilidade de abrir baús e neles encontrar Rupees em maior ou menor quantidade que você pagou, ou como eu disse anteriormente, heartpieces. Outra coisa interessante é dar uma olhada nas tendas de bruxas espalhadas pelo mundo, onde você paga alguma quantia para que ela possa prever seu futuro (dizendo onde você tem que ir no momento) e contar algo sobe o que está ocorrendo no momento no jogo. Também há cavernas de mentores espalhados pelo cenário onde Link pode ouvir histórias que complementam o enredo de alguma forma. Estes videntes geralmente estão no Dark World e com a forma alterada, pois não possuem A Moon Pearl, artefato que permite a Link permanecer na mesma forma seja no Light ou Dark World, caso contrário ele se transformaria em um coelhinho sem poder fazer nada. Outro ponto útil que enfatiza a exploração do cenário é a localização de cavernas com fadas que recuperam todo o seu life de graça, sendo que as fadas são personagens importantes no jogo, presentes em vários locais.

Um dos pontos mais fortes do jogo é sua música bastante cativante e divertida e seus efeitos sonoros bem colocados. Koji Kondo, o compositor, soube trabalhar muito bem a inserção das músicas no jogo e os temas coincidem bastante com o momento em que se está jogando. É bastante comum se encontrar cantarolando ou assobiando uma das músicas da série, que são fáceis de decorar e grudam na memória. Algumas músicas têm composição primorosa e são superiores a muitos jogos da série FF, tomando por base, já que é uma série bem conhecida. Uma das minhas preferidas é o tema das Lost Woods, a floresta do Light World que no começo é bastante sombria e faz com que você entre no clima do jogo. Os efeitos sonoros são bem colocados e muitos deles permanecem desde o começo da série até hoje, no último jogo da série Zelda lançado, Wind Waker. O som de receber um aviso importante, abrir um baú ou encontrar passagens secretas muitas vezes dá alívio ao jogador, que estava apreensivo ao tentar encontrar algo que o ajudasse no jogo. Outro ponto interessante é que na versão de GBA, Link possui voz, idêntica à de OoT, ao batalhar com os inimigos é possível ouvir gritos enquanto ele desfere golpes de espada.

Os gráficos são bem evoluídos para a época, apresentando um mundo vasto com diversos inimigos, dungeons grandes e bem elaboradas e pixels menores que FF5 por exemplo, lançado na mesma época. Os personagens são bem feitos e trabalhados, além de grandes chefes que podem ocupar a tela inteira, com magias diversas e com efeitos muito bons. Um dos grandes trunfos dos programadores do jogo é apresentar ao jogador tamanha diversidade de elementos gráficos para um jogo de 1992. Alguns itens de Link como os medalhões geram explosões e coisas do tipo em toda a tela, causando dano a todos os inimigos, o que demonstra a capacidade do cartucho de realizar obras-primas. Além disso, Zelda 3 possui um mundo imenso, muitas vezes chato por ser difícil percorrer área tão vasta para concluir seus objetivos.

O Replay do jogo não é muito grande, pois Zelda não possui side-quest algum em que você possa aumentar as habilidades de Link ou mesmo um modo new game +, com todos seus itens e corações antigos. Como eu já disse antes, depois de algum tempo jogando você se sente cansado de realizar os mesmos objetivos tantas vezes, pois são muito parecidos entre si, e ainda possuem uma ordem pré estabelecida, o que tira muita diversão do jogo. Justamente por isso, você nunca levará mais do que 10 horas para concluir o jogo, a não ser que você queira um save perfeito logo na primeira vez em que jogar e se ainda for muito devagar.

Concluindo o Review, acredito que este seja um clássico do SNES que merece ser jogado seja você um experiente RPGista ou iniciante, pois propicia muita diversão e é um jogo bem relaxante, sem histórias com reviravoltas, puzzles impossíveis, sistemas de batalhas demorados ou mesmo side quests, o que propicia a você jogar sem compromisso e durante pouco tempo. Um RPG Adventure dos primórdios da série que nesta época já continha elementos hoje presentes em OoT e MM, e que por isso vale ser lembrado. Portanto, se você busca diversão sem compromisso, relembrar as músicas da série Zelda, exploração ou mesmo um jogo para relaxar isto é o que você busca.


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The Legend of Zelda: A Link to the Past
The Legend of Zelda: A Link to the Past1992
SNES
Ação Aventura RPG
Desenvolvido por: Nintendo
Publicado por: Nintendo

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